É verdade, foi o que comi hoje como sobremesa ao almoço.
Escusado será dizer que comi na secção dos pobres da cantina geral do Pólo II da Universidade de Coimbra, mas eu digo na mesma. Comi na secção dos pobres da cantina geral do Pólo II da Universidade de Coimbra. E comi pudim de água.
De facto, o pudim, como objecto físico que, enfim, existe, não é mau, mas como pudim falha imenso. Como não tinha cheiro ou sabor, diria até que foi feito para agradar a toda a gente. Toda a gente, claro, menos aqueles que gostam de pudim.
Deixem-me voltar atrás e relatar o incidente em condições.
Lá estava eu, na fila da cantina, a olhar para o meu (surpresa das surpresas) empadão, quando um dos meus neurónios de elite se lembrou que eu merecia sobremesa. Após meia-dúzia de sinapses e tal e daquelas coisas semi-pornográficas que os neurónios fazem uns aos outros (todos colados aos rabos uns dos outros), levantei o queixo para me deparar com uma (única) espécie de fatia de pudim. Prontamente me atirei a ela e fiquei com aquela cara de... bem, de quem vai comer o último pudim que havia no balcão.
Após uma aventurosa aventura pelos recantos do empadão, cheia de perigos e suspense e numerosas e frustrantes tentativas de encontrar carne, lá me dei de caras com o pudim. "Finalmente juntos" ou "encontramo-nos novamente, velho amigo" ou "o mundo não é grande suficiente pra nós dois, por isso desculpa lá, mas vou-te papar"? Não me consegui decidir, por isso atirei-me a ele enquanto o tal neurónio recebia medalhas e palmadas nas costas dos colegas e "aquela neurónia está de olho em ti, alguém vai ter festa hoje à noite". É uma pena que não se reproduzam.
Voltando à acção, depressa notei que não notava nada. Outra colherada, para ter certeza. Sim, foi isto que pus na boca ainda agora. Olho pró pudim com o mesmo olhar de dúvida com que os colegas do tal neurónio olham pro tal neurónio. Não vai haver festa pra ti, pequenino.
Não, aquilo parecia mesmo pudim, o problema só podia ser de mim, não fossem outras pessoas estarem a ter as mesmas dificuldades técnicas no que toca a estimular as papilas gustativas. Era mesmo do pudim. Quero dizer, não me levem a mal, pudim é sempre bom e vale sempre a pena. Pena que aquele só tinha o nome e o aspecto. Já percebo o porquê do roubo de identidade ser crime. Mas ele vai pagar-me a desilusão. Vingança é um prato que é melhor servido sob a forma de autoclismo.
"Ai jasus, c'orgia."

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